quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Hoje despedi-me de um amigo...

Ontem deixou de estar presente um daqueles amigos que ainda me chamava Zézinha!
Era muito especial! Na verdade era mais um membro da minha família. Crescemos na mesma rua...
Fiquei muito triste! De longe a longe trocávamos mensagens e enviava-me algumas poesias que escrevia.
Tínhamos uma amizade muito pura e terna daquelas que vem de meninos...
Falava-me dos livros que escrevia e do prazer que sentia em passar para o computador o que lhe ia na alma. Brincava comigo com aquela intimidade que só é possível na amizade!
Encontrávamo-nos nas festas de família onde me dava sempre uns abraços muito fortes, muito especiais, muito carinhosos!
Levei-lhe umas flores onde dizia o que realmente sinto: "Os meus olhos deixaram de te ver, mas não o coração!"
Viverás sempre na minha memória....

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O mundo que era nosso e agora é só meu…

Hesitei! Apetecia-me muito falar contigo. Sinto aquela calma suave e uma alegria triste no peito que me apetece correr por aí e falar de ti. Sinto amor que queima o meu corpo e a minha voz articulando uns sons à tua procura. Pena que nem sempre sinta assim! Também sinto o amargo da solidão, mas de repente sinto que renascemos, que fazemos parar o tempo, que o que conseguimos guardar em nós durante tanto tempo, não pode morrer.
Agora o meu corpo é amor, apenas as flores cheiram a saudade, mas a sua beleza, a sua cor, a luz que delas emana enche-me os olhos e a cabeça de beleza.
Às vezes perco a noção se é só comigo ou contigo que me deito. És a minha ternura, a minha alegria, a minha carência, a minha saudade. Parece que vivo por ti e através de ti com o teu carinho! Sinto o meu corpo cheirar à madrugada da aldeia que sonhamos, mas também cheira a distância e a desespero.
O mundo é nosso. Ouço poemas e olho para o céu, mas o meu amor está demasiado longe…muito longe! A distância é imensa e não consigo tocá-lo. Então a tristeza é tão forte que mal consigo sorrir. Nem um som, nem um gesto, é a dor de um amor sozinho. De repente o meu corpo é só deserto! O céu parece não ter ar, o azul desaparece e aquela angústia da solidão invade-me.
Imagino nos teus olhos as memórias do desejo, sinto-me rebolar nas areias das praias que não vejo sem ti. Sei que estou presa à ternura sem defesa que te dei. Na casa que agora é só minha, espero o teu corpo que tive e senti só meu!
Sinto lentamente aquela alegria desabrochar dentro de mim, como o sol a nascer na madrugada. Penso em ti e apetece-me dançar, sorrir, olhar as flores da janela do meu quarto. Que colorido está o jardim que com tanto carinho as minhas próprias mãos construíram! Cada planta, cada flor tem uma história que agora só eu sei. Como gostava de as partilhar contigo!
Visto-me colorida. Cubro o meu corpo com as cores do meu jardim, abro o meu peito, recebo-te e sorrio feliz! Penso em ti como se realmente existisses aqui ao meu lado, sinto os teus carinhos, as tuas mãos, os teus abraços e só me apetece olhar o céu, esse mesmo céu que nos cobria quando estávamos deitados sobre a relva selvagem e imaginávamos, como iríamos ser felizes nesta casa que eu tive de acabar sozinha!
Queria comunicar-te esta alegria, mas de repente olho em volta e tu não estás. Só a tua memória, a tua pele macia e as tuas loucuras de menino travesso! Uma vida, umas horas, uma eternidade que fazem bem a diferença! Isto nunca se pode esquecer! É vida, é amor, é ternura, é seiva, é planta, é flor, é o desabrochar do mundo para nos envolver.
Somos isto, somos dois num só, sem vaidades, sem surpresas, sem artifícios, só o teu riso forte e solto, a minha alegria e as nossas loucuras. Que a memória dos tempos não nos faça esquecer este privilégio único que é dado aos homens – AMAR,… mesmo que tu já não estejas mais aqui.
Vou presentear-te com parte de uma peça musical que apreciavas bastante...


“Há metafísica bastante em não pensar em nada.
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma e sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim, pensar nisso é fechar os olhos e não pensar.
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

As amizades de adolescentes....

Há muito que não tinha momentos de alegria tão genuína, tão autêntica como vivi hoje!

Encontrei-me com três amigas do Liceu que não via há algumas dezenas de anos...
Que modo de escrever! Dezenas de anos parecem uma eternidade, mas não foi!

Adoro estes encontros com sabor a mistério! Estaríamos muito diferentes? Restavam alguns traços daquelas meninas de batas de popeline cinza claro com os sete botõezinhos brancos no cinto para indicar que aquele era o nosso último ano daquela adolescência feliz?
Teríamos ainda os traços fundamentais de feições e de carácter que tínhamos guardado na memória?  O que iríamos sentir ao ver a realidade?
As palavras nestes momentos dizem muito pouco! Não estávamos assim tão diferentes e sobretudo quando nos abraçamos com aquela força que só a juventude é capaz, sentimo-nos recuar no tempo. Não, sobre nós a lei da gravidade não tinha actuado!!!
Tínhamos mais alguns quilos, não muitos! Até achamos que estávamos mais jeitosas, mais maduras, mais interessantes intelectualmente e com a mesma capacidade de rir das nossas próprias experiências de vida.
Afinal os sentimentos puros que nos uniram outrora estavam lá intactos, pareciam mesmo mais fortes pela alegria do reencontro.
Um bom almoço a ver aquele lindo mar da Foz e o riso sempre presente nas nossas conversas! Que bom sentirmos uma amizade tão forte apesar do tempo que tinha passado desde as nossas memórias distantes!
Não tínhamos idade, apenas um carinho e aquela alegria imensa de nos voltarmos a abraçar!
Cada uma seguiu o seu caminho, mas parecíamos realizadas e felizes por estarmos ali juntas e saudáveis.

Durante a tarde vimos mais uma quantidade de fotografias do tempo do Liceu e recordamos as professoras presentes e as influências que exerceram em cada uma de nós.
Que escola tão diferente das de hoje! Uma casa só feminina, ou antes havia um homem, o Sr. Manuel jardineiro!!!
Os rapazes do liceu masculino nem sequer podiam aproximar-se do passeio "feminino", mas sobrevivíamos arranjando sempre novos truques para iludir a vigilância apertada em que vivíamos!

Olhando para o tempo em conjunto, não guardo memórias tristes, mas concordo que a sobrevivência era difícil.
Não me lembro das flores que havia nos pequenos jardins interiores, mas vou imaginar as flores que a minha memória perdeu deixando aqui algumas. São sempre uma alegria para os olhos e para o coração. Aqui simbolizam os abraços muito apertados que nos encheram a alma de uma alegria com muita cor e muita beleza que só se pode sentir, não descrever!

Até sempre queridas amigas! Agora não nos perderemos mais de vista...




quarta-feira, 30 de março de 2011

A vida é bela...

Parece um título interessante de um filme que já vimos, mas não é!
Passei um mês de Fevereiro e parte de Março doente. Não foi nada objectivamente grave, mas o suficiente para me dar sofrimento físico e moral que me fez pensar algumas vezes que a vida assim não valia a pena. Não tinha forças e a dor física dava a sensação que tudo de repente, passou a ser sofrimento!

Como sou optimista por natureza, acreditava que melhores dias tinham que vir! Assim aconteceu e mais depressa do que imaginava.

Ontem sem poder imaginar ou sonhar, recebi um telefonema que me deu uma alegria que há algum tempo não sentia! Uma daquelas sensações que surge bem do fundo do nosso ser e do que há de mais puro nas relações humanas – o relembrar de amizades, puras, autênticas, verdadeiras, ao ouvir uma voz que me vinha da minha infância e adolescência, uma voz com quem convivi durante, sete, nove, dez anos todos os dias! Uma amiga e colega de Liceu e da Universidade, andava à minha procura para me convidar a juntar-me ao grupo dos alunos que frequentaram o 7º ano (agora 11º) do Liceu Carolina Michaellis do Porto, no próximo mês de Outubro!

À primeira vista, esta explosão de sentimentos que tento descrever pode parecer exagerada, mas não é!
Foi uma turma que cresceu com crianças que em geral tinham 10 anos quando iniciaram a sua vida numa escola que lhes pareceu um mundo enorme (com cerca de 1000 alunos), quase desmesuradamente grande, em comparação com a sua escolinha primária onde havia 3 ou 4 salas de aula a funcionar com a respectiva professora e uns vinte alunos por sala. Vivemos numa relação de proximidade única durante os sete anos que durou a permanência da maior parte de nós na nova escola.

Depois de termos passado por um sistema muito rígido e exigente, tínhamos chegado ao momento em que a nossa vida de adulto ia praticamente começar com a entrada para a universidade para algumas e para outras o mercado de trabalho.
Tal como hoje, eram momentos difíceis e muitas vezes decisivos no futuro de jovens como nós. A acompanhar todas as memórias deste período tão marcante das nossas vidas, veio-me parar às mãos via correio electrónico uma fotografia desse grupo de 1959 com muitos dos nossos professores. Que ternura, que memórias tão bonitas me assolaram naqueles momentos!

Nem tudo foram rosas ou momentos felizes nesses sete anos de vida numa escola exclusivamente feminina, onde as normas embora, genericamente aceites sem discussão, nem sempre eram sentidas como justas! Tivemos professoras que quase adorávamos e outras que literalmente detestávamos, mas que tínhamos que tolerar! Isto no fundo não mudou muito!

Não quero contudo deixar perder o ponto que me levou a escrever sobre este tema… Levou-me ao dia em que criei este blogue e senti que um dos aspectos mais relevantes e de maior importância na minha vida foi a "Amizade".
Tenho novos amigos adquiridos noutro tempo e com outra idade, mas ao ouvir a voz daquela amiga de infância ao telefone, tive o privilégio de sentir como era forte e verdadeira aquela amizade que esteve durante tantos anos adormecida pelos diversos caminhos que as nossas vidas tinham tomado. Separa mo nos, vivemos vidas muito diferentes, mas tudo continuava lá intacto e presente como antes não me atreveria sequer a admitir.
Senti sim, uma verdadeira alegria! Costumo citar muitas vezes o que diz a Maria Bethânia numa das suas canções ao dizer : “A minha alegria é triste”… Eu depois de perder na minha vida pessoas que me deram tanto prazer, tanta alegria de viver e me sorrio ou mesmo rio, sinto o mesmo que a Maria Bethânia!
Ontem por uns momentos voltei a ter essa maravilhosa sensação de que afinal “a minha alegria voltou a ser alegre”!
Bem hajam as amigas que se lembraram de mim para me juntar de novo ao grupo com quem tantas alegrias partilhei!
 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Uma linda poesia...

Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.


Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, 1915)

Quanto mais leio o nosso Grande Poeta, mais gosto!
Sinto-me nos seus versos, nos seus pensamentos, 
no modo como transforma a natureza!
Como tudo é tão simples e tão profundo!

Perdi do meu campo de visão, das minhas sensações 
materiais um amigo muito especial, há quase um ano! 
Deixei de o ver, de ouvir, de ler os textos poéticos 
que me escrevia cheios de ternura e sensibilidade, 
mas acho que ele continua vivo nas minhas flores,
especialmente nas minhas hidrangeas aqui "in Paradise"!
Vou pela a estrada...
e sinto que o vou encontrar na próxima curva...


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Este Inverno…

Agora o Inverno é já bem visível, embora por estas paragens a paisagem não se vista de branco. A natureza está no seu processo de hibernação! As árvores não tem folhas e as cores maravilhosas do Outono já desapareceram. O vento surge um pouco mais gelado do que estávamos habituados, fazendo rodopiar no chão as folhas caídas numa dança irrequieta.

Em contraste com as árvores despidas mostrando uns tons castanhos acinzentados dos seus troncos, também surgem a magnólias de folha persistente, bem como as japoneiras com as suas folhas de um verde brilhante e vigoroso. Os novos botões prestes a rebentar vão dar origem a maravilhosas flores de cores tão variadas e pele macia.

Como é bom sentir esta necessidade da natureza se revigorar e voltar a nascer!
Durante mais de uma semana senti o meu corpo perder as forças com uma desagradável gripe! A chuva e o cinzento do céu não me ajudaram nada. Quase desanimava de vez em quando! De repente, como deixei de aparecer, os amigos/as a quem de início dediquei este blogue, começaram a telefonar, a saber se precisava de ajuda, se me punha de pé e voltava a aparecer. Aos poucos o meu corpo foi voltando ao seu estado normal e a esperança na vida e sobretudo na amizade voltou a encher o meu coração! Que feliz me sinto por ser tão privilegiada!

Com todas estas vicissitudes libertei-me de dedicar o meu precioso tempo, a umas eleições tão pobres de conteúdo, de novas ideias, de soluções exequíveis para um país tão desmoralizado! Já se sente alguma dificuldade em acreditar que o país pode renascer das cinzas como Fénix. Temos que acreditar! O sonho não pode desaparecer. Sem o sonho, a vida transforma-se numa sucessão de dias sem sentido e isso não pode acontecer! No Domingo algo se vai decidir. Não sei bem se, o que quer que aconteça, vai mudar muito, mas pelo menos contribui para que a esperança volte a nascer.

Vou procurar mais umas fotos que tenha tirado para ilustrar este texto como faço quase sempre. Dá outro sentido e outra alegria à vida! Que fiquem as crianças e as flores para tornar o mundo melhor.