Parece um título interessante de um filme que já vimos, mas não é!
Passei um mês de Fevereiro e parte de Março doente. Não foi nada objectivamente grave, mas o suficiente para me dar sofrimento físico e moral que me fez pensar algumas vezes que a vida assim não valia a pena. Não tinha forças e a dor física dava a sensação que tudo de repente, passou a ser sofrimento!
Como sou optimista por natureza, acreditava que melhores dias tinham que vir! Assim aconteceu e mais depressa do que imaginava.
Ontem sem poder imaginar ou sonhar, recebi um telefonema que me deu uma alegria que há algum tempo não sentia! Uma daquelas sensações que surge bem do fundo do nosso ser e do que há de mais puro nas relações humanas – o relembrar de amizades, puras, autênticas, verdadeiras, ao ouvir uma voz que me vinha da minha infância e adolescência, uma voz com quem convivi durante, sete, nove, dez anos todos os dias! Uma amiga e colega de Liceu e da Universidade, andava à minha procura para me convidar a juntar-me ao grupo dos alunos que frequentaram o 7º ano (agora 11º) do Liceu Carolina Michaellis do Porto, no próximo mês de Outubro!
À primeira vista, esta explosão de sentimentos que tento descrever pode parecer exagerada, mas não é!
Foi uma turma que cresceu com crianças que em geral tinham 10 anos quando iniciaram a sua vida numa escola que lhes pareceu um mundo enorme (com cerca de 1000 alunos), quase desmesuradamente grande, em comparação com a sua escolinha primária onde havia 3 ou 4 salas de aula a funcionar com a respectiva professora e uns vinte alunos por sala. Vivemos numa relação de proximidade única durante os sete anos que durou a permanência da maior parte de nós na nova escola.
Depois de termos passado por um sistema muito rígido e exigente, tínhamos chegado ao momento em que a nossa vida de adulto ia praticamente começar com a entrada para a universidade para algumas e para outras o mercado de trabalho.
Tal como hoje, eram momentos difíceis e muitas vezes decisivos no futuro de jovens como nós. A acompanhar todas as memórias deste período tão marcante das nossas vidas, veio-me parar às mãos via correio electrónico uma fotografia desse grupo de 1959 com muitos dos nossos professores. Que ternura, que memórias tão bonitas me assolaram naqueles momentos!
Nem tudo foram rosas ou momentos felizes nesses sete anos de vida numa escola exclusivamente feminina, onde as normas embora, genericamente aceites sem discussão, nem sempre eram sentidas como justas! Tivemos professoras que quase adorávamos e outras que literalmente detestávamos, mas que tínhamos que tolerar! Isto no fundo não mudou muito!
Não quero contudo deixar perder o ponto que me levou a escrever sobre este tema… Levou-me ao dia em que criei este blogue e senti que um dos aspectos mais relevantes e de maior importância na minha vida foi a "Amizade".
Tenho novos amigos adquiridos noutro tempo e com outra idade, mas ao ouvir a voz daquela amiga de infância ao telefone, tive o privilégio de sentir como era forte e verdadeira aquela amizade que esteve durante tantos anos adormecida pelos diversos caminhos que as nossas vidas tinham tomado. Separa mo nos, vivemos vidas muito diferentes, mas tudo continuava lá intacto e presente como antes não me atreveria sequer a admitir.
Senti sim, uma verdadeira alegria! Costumo citar muitas vezes o que diz a Maria Bethânia numa das suas canções ao dizer : “A minha alegria é triste”… Eu depois de perder na minha vida pessoas que me deram tanto prazer, tanta alegria de viver e me sorrio ou mesmo rio, sinto o mesmo que a Maria Bethânia!
Ontem por uns momentos voltei a ter essa maravilhosa sensação de que afinal “a minha alegria voltou a ser alegre”!
Bem hajam as amigas que se lembraram de mim para me juntar de novo ao grupo com quem tantas alegrias partilhei!
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A amizade embeleza e enriquece a vida!
ResponderEliminarDoutora Maria José, LINDA a música.