O mundo que era nosso e agora é só meu…
Hesitei! Apetecia-me muito falar contigo. Sinto aquela calma suave e uma alegria triste no peito que me apetece correr por aí e falar de ti. Sinto amor que queima o meu corpo e a minha voz articulando uns sons à tua procura. Pena que nem sempre sinta assim! Também sinto o amargo da solidão, mas de repente sinto que renascemos, que fazemos parar o tempo, que o que conseguimos guardar em nós durante tanto tempo, não pode morrer.
Agora o meu corpo é amor, apenas as flores cheiram a saudade, mas a sua beleza, a sua cor, a luz que delas emana enche-me os olhos e a cabeça de beleza.
Às vezes perco a noção se é só comigo ou contigo que me deito. És a minha ternura, a minha alegria, a minha carência, a minha saudade. Parece que vivo por ti e através de ti com o teu carinho! Sinto o meu corpo cheirar à madrugada da aldeia que sonhamos, mas também cheira a distância e a desespero.
O mundo é nosso. Ouço poemas e olho para o céu, mas o meu amor está demasiado longe…muito longe! A distância é imensa e não consigo tocá-lo. Então a tristeza é tão forte que mal consigo sorrir. Nem um som, nem um gesto, é a dor de um amor sozinho. De repente o meu corpo é só deserto! O céu parece não ter ar, o azul desaparece e aquela angústia da solidão invade-me.
Imagino nos teus olhos as memórias do desejo, sinto-me rebolar nas areias das praias que não vejo sem ti. Sei que estou presa à ternura sem defesa que te dei. Na casa que agora é só minha, espero o teu corpo que tive e senti só meu!
Sinto lentamente aquela alegria desabrochar dentro de mim, como o sol a nascer na madrugada. Penso em ti e apetece-me dançar, sorrir, olhar as flores da janela do meu quarto. Que colorido está o jardim que com tanto carinho as minhas próprias mãos construíram! Cada planta, cada flor tem uma história que agora só eu sei. Como gostava de as partilhar contigo!
Visto-me colorida. Cubro o meu corpo com as cores do meu jardim, abro o meu peito, recebo-te e sorrio feliz! Penso em ti como se realmente existisses aqui ao meu lado, sinto os teus carinhos, as tuas mãos, os teus abraços e só me apetece olhar o céu, esse mesmo céu que nos cobria quando estávamos deitados sobre a relva selvagem e imaginávamos, como iríamos ser felizes nesta casa que eu tive de acabar sozinha!
Queria comunicar-te esta alegria, mas de repente olho em volta e tu não estás. Só a tua memória, a tua pele macia e as tuas loucuras de menino travesso! Uma vida, umas horas, uma eternidade que fazem bem a diferença! Isto nunca se pode esquecer! É vida, é amor, é ternura, é seiva, é planta, é flor, é o desabrochar do mundo para nos envolver.
Somos isto, somos dois num só, sem vaidades, sem surpresas, sem artifícios, só o teu riso forte e solto, a minha alegria e as nossas loucuras. Que a memória dos tempos não nos faça esquecer este privilégio único que é dado aos homens – AMAR,… mesmo que tu já não estejas mais aqui.
Vou presentear-te com parte de uma peça musical que apreciavas bastante...
Vou presentear-te com parte de uma peça musical que apreciavas bastante...
“Há metafísica bastante em não pensar em nada.
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma e sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim, pensar nisso é fechar os olhos e não pensar.”
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)
“Texto belíssimo dirigido a alguém que me faz falta. Uma falta que vai sendo sobrecarregada com novas faltas, até ao dia em que eu falte. Entretanto, entregarei e receberei amor do que resta. Que é muito!
ResponderEliminarUm Xi Querida Cunhada.”JFK
Meu agora tão querido Professor Altamiro:) penso em si todos os dias porque todos os dias está nas minhas orações. Saudades e fique atento ao que se passa cá em baixo e que tantas vezes lhe mereceria um grito de protesto ou uma enérgica risada tão ao seu jeito...
ResponderEliminarPaz e Luz par si :)
Altina