sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tempestade...

O Verão já acabou e eu não tive vontade de escrever durante quase dois meses.
Algures no início de Setembro, não me lembro bem quando, estava no meu Paraíso e assisti a uma tempestade como não tinha memória!
A chuva e o vento eram tão fortes que ultrapassaram muito as minhas memórias de África! O bater forte da chuva nos vidros trazia-me saudades! As tempestades tropicais com aqueles raios tão potentes e ruidosos a desaparecerem no mar, na frente da nossa casa. O temor de que o ruído acordasse as crianças ainda muito pequenas. Tudo era grandioso em África! Até o Índico parecia maior que o Atlântico. Tudo era estranho e mágico: o sol nascia no mar e punha-se em terra, numa planície imensa. As cores eram muito mais fortes, até a terra era avermelhada! Felizmente tal como em muitos outros sítios, África deu-me muitos momentos de felicidade. Não me lembro de ir ao teatro ou assistir a concertos, só alguns filmes (poucos), mas em compensação tinha o sol, a praia, as areias muito mais brancas do que estava habituada, cobertas por um mar azul claro, transparente, muito mais calmo e quente.
No meio desta tempestade no sul da Europa, tive receio que a minha Japoneira centenária não resistisse aos ataques desesperados do vento e da chuva. Não sei o que aconteceu aos pássaros que costumavam abrigar-se na sua folhagem compacta. Partiu-se um galho bastante grande.
Uma ameixieira ainda jovem, não mais que três anos, parecia querer desprender-se da Terra. O chão ondulava continuamente junto da base do tronco. O castanheiro grande de um vizinho acima, rachou-se ao meio! Nunca tinha assistido a um temporal tão grande e demorado como este. O vento assobiava mais forte do que alguma vez ouvi! A natureza toda se revoltava! Umas ovelhas num campo longínquo, acompanharam uma rapariga que as foi buscar para recolher em lugar seguro. Aceleravam o passo mais do que era costume. Os animais sentem as forças da natureza mais intensamente do que nós! Parecia recearem ser engolidos por alguma onda gigante aterrando naquelas paragens, usualmente tão serenas!
As montanhas distantes, tinham-se transformado numa massa disforme branca, que encobria toda a espécie de vida. Das povoações tão visíveis nas redondezas só se distinguia uma mancha cor de tijolo vaga, dos seus telhados!
A paisagem grandiosa que me fez tantas vezes feliz só por ter o privilégio de a olhar, parecia ter desaparecido para sempre! As lágrimas que me corriam pela face e que noutras ocasiões senti por razões tão diversas, alimentavam-se agora do medo das consequências daquele pesadelo!
Durou quase dois dias! Finalmente o sol apareceu, tal como o verde brilhante das folhas. O solo castanho parecia abençoar toda aquela água que se infiltrara nas suas entranhas depois de um Verão tão seco. Fui tocar as minhas plantas e dizer-lhes como me sentia feliz por poder continuar a vê-las nos mesmos sítios. Só parte das hidrangeas que plantara com tanto amor tinham morrido. Tinha-lhe prometido que as suas hidrangeas iam viver para sempre. As brancas tinham estado todas em flor no início do Verão, mas não resistiram ao excesso de calor, tal como ele mal conseguiu resistir ao Inverno agreste do seu país!
Pus Bach a tocar os concertos de Brandenburg. Precisava de calma e a música ajuda-me sempre muito!
Bach - Brandenburg Concertos No.2 – 2 moviment – Claudio Abbado

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