quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Um ano de esperança para todos!

Os bons tempos hão-de chegar...

Neste momento só me apetece desejar a todos que olhem para o "copo meio cheio, em vez de meio vazio" para o próximo ano!
Felizmente parece que o espírito de Natal e a compra das prendinhas, que embora mais escassas, sempre conferem alguma alegria à quadra natalícia!

Vou tentar encontrar uma canção de Natal que gosto muito de um cantor que marcou a minha juventude!!! Se não encontrar esta encontrarei outra....

Para todos, desejo um ano com a convicção de que ainda não perdemos a informação genética dos nossos navegadores. Como eles, poderemos ainda conquistar novos mundos que também nos façam crescer.
Que tenham saúde e sejam muito felizes!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Décadas de um País desgovernado…

Deixei por algum tempo de alimentar o meu blogue, mas não foi por esquecimento, foi por não sentir nenhuma ideia interessante para registar ou não arranjar vontade de o fazer.
Ando cansada de um País onde as notícias são todos os dias de depressão, de tristeza, de famílias que dificilmente conseguem condições mínimas de sobrevivência…
Cansada de políticos e banqueiros que parecem viver num mundo separado, de faz-de-conta, onde só a riqueza, a competição e as palavras vazias de sentido contam.

É verdade que geralmente nestes momentos, as pessoas revelam-se e encontram forças, imaginação e soluções que em circunstâncias normais nem vislumbram. A vida por vezes apresenta-nos caminhos, que antes eram só veredas desertas!
Fazemos parte de uma Europa evoluída onde tantos países vivem quase sem crises, quase sem desemprego! Apesar de não terem petróleo ou outras riquezas naturais, os seus habitantes vivem em paz, sem problemas que os deprimam ou lhes transformem a vida num inferno sem esperança.

Será que os nossos políticos e homens de negócios nunca viajaram nem viram o que se passa nos países bem governados? Nestes, a riqueza é distribuída com equidade pelos cidadãos, os sistemas judiciais e de saúde funcionam, produz-se riqueza que se gasta em equipamentos e funções sociais úteis para todos. Há níveis de educação elevados, há transportes não só baseados nos carros e nas auto-estradas, mas numa rede ferroviária que serve com eficiência as populações. Ricos e pobres não apresentam as diferenças vergonhosas que por aqui se vêem, ou melhor a palavra pobre na acessão que aqui conhecemos, quase desapareceu do seu vocabulário.

Temos um país lindo, com história, com pessoas que trabalham quando bem organizadas e orientadas por quem sabe (veja-se o exemplo dos nossos emigrantes)! Não deixemos que os jovens mais qualificados saiam do país por não conseguir arranjar emprego, não deixemos que quase toda a população entre em desânimo por não conseguir direito a uma vida que lhes dê um mínimo de satisfação.

Há exemplos muito curiosos de autarquias que resolveram ensinar e apoiar os que tem ideias e vontade de trabalhar, a encontrar soluções que os podem ajudar muito. Talvez o segredo possa encontrar-se nestas comunidades de pequenas dimensões, onde as pessoas se conhecem e as relações de proximidade facilitam muito.
Não sou política nem rica, mas felizmente tive a sorte de poder estudar e viver numa época em que tive oportunidade de trabalhar, desde início, em algo que sempre me deu muita felicidade. Espero ter conseguido transmitir o meu entusiasmo aos que comigo trabalharam.

Só posso desejar a todos um Bom Natal e muita vontade de tentar realizar os vossos sonhos em 2011.

PS: Vou colocar uns postais de Natal que comprei na Finlândia há dois anos, durante uma semana em que tive lá uma reunião de trabalho. Na altura as temperaturas variaram entre os 12 e 18 graus negativos!!!! A cidade estava coberta de neve e a população vive bem, apesar de um clima tão adverso! Porque será que nem sequer sabemos aproveitar o que temos de bom?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Changing Paradigms

Correndo o risco de ficarem cheios de SIR KEN ROBINSON, atrevo-me a incorporar este novo vídeo com legendas em Espanhol para os relutantes do Inglês. Claro que não encontrei em Português!

Esta conferência tem o título " Changing Paradigms"!
O tema é demasiado importante para quem se interessa por Educação para passar ao lado! Além disso, a qualidade e o sentido de humor do autor, não nos podem deixar indiferentes.

Passam-se uns bons bocados a ouvi-lo, acreditem!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Conferências TED

TED conferences – Sir Ken Robinson

A minha vida profissional foi sempre ligada à Educação e ainda mantenho essa ligação.
Sempre me impressionou visitar países com quem tive projectos, sobretudo na Europa, onde se dava importância ao papel das artes visuais, ao teatro, à música tocada ou dançada e acreditavam seriamente que estes conteúdos ajudavam as crianças a obter melhores resultados e com maior prazer.
Costumo ver algumas das conferências TED no YouTube e não resisto a dar a conhecer algumas que me deram particular prazer em ver.
Hoje vai uma sobre Criatividade em que o protagonista é “Sir Ken Robinson” com o seu profundo conhecimento e um delicioso sentido de humor!
Vejam e pensem bem!



Nota: Sir Ken Robinson está em Portugal a lançar um novo livro "O Elemento"

Tempestade...

O Verão já acabou e eu não tive vontade de escrever durante quase dois meses.
Algures no início de Setembro, não me lembro bem quando, estava no meu Paraíso e assisti a uma tempestade como não tinha memória!
A chuva e o vento eram tão fortes que ultrapassaram muito as minhas memórias de África! O bater forte da chuva nos vidros trazia-me saudades! As tempestades tropicais com aqueles raios tão potentes e ruidosos a desaparecerem no mar, na frente da nossa casa. O temor de que o ruído acordasse as crianças ainda muito pequenas. Tudo era grandioso em África! Até o Índico parecia maior que o Atlântico. Tudo era estranho e mágico: o sol nascia no mar e punha-se em terra, numa planície imensa. As cores eram muito mais fortes, até a terra era avermelhada! Felizmente tal como em muitos outros sítios, África deu-me muitos momentos de felicidade. Não me lembro de ir ao teatro ou assistir a concertos, só alguns filmes (poucos), mas em compensação tinha o sol, a praia, as areias muito mais brancas do que estava habituada, cobertas por um mar azul claro, transparente, muito mais calmo e quente.
No meio desta tempestade no sul da Europa, tive receio que a minha Japoneira centenária não resistisse aos ataques desesperados do vento e da chuva. Não sei o que aconteceu aos pássaros que costumavam abrigar-se na sua folhagem compacta. Partiu-se um galho bastante grande.
Uma ameixieira ainda jovem, não mais que três anos, parecia querer desprender-se da Terra. O chão ondulava continuamente junto da base do tronco. O castanheiro grande de um vizinho acima, rachou-se ao meio! Nunca tinha assistido a um temporal tão grande e demorado como este. O vento assobiava mais forte do que alguma vez ouvi! A natureza toda se revoltava! Umas ovelhas num campo longínquo, acompanharam uma rapariga que as foi buscar para recolher em lugar seguro. Aceleravam o passo mais do que era costume. Os animais sentem as forças da natureza mais intensamente do que nós! Parecia recearem ser engolidos por alguma onda gigante aterrando naquelas paragens, usualmente tão serenas!
As montanhas distantes, tinham-se transformado numa massa disforme branca, que encobria toda a espécie de vida. Das povoações tão visíveis nas redondezas só se distinguia uma mancha cor de tijolo vaga, dos seus telhados!
A paisagem grandiosa que me fez tantas vezes feliz só por ter o privilégio de a olhar, parecia ter desaparecido para sempre! As lágrimas que me corriam pela face e que noutras ocasiões senti por razões tão diversas, alimentavam-se agora do medo das consequências daquele pesadelo!
Durou quase dois dias! Finalmente o sol apareceu, tal como o verde brilhante das folhas. O solo castanho parecia abençoar toda aquela água que se infiltrara nas suas entranhas depois de um Verão tão seco. Fui tocar as minhas plantas e dizer-lhes como me sentia feliz por poder continuar a vê-las nos mesmos sítios. Só parte das hidrangeas que plantara com tanto amor tinham morrido. Tinha-lhe prometido que as suas hidrangeas iam viver para sempre. As brancas tinham estado todas em flor no início do Verão, mas não resistiram ao excesso de calor, tal como ele mal conseguiu resistir ao Inverno agreste do seu país!
Pus Bach a tocar os concertos de Brandenburg. Precisava de calma e a música ajuda-me sempre muito!
Bach - Brandenburg Concertos No.2 – 2 moviment – Claudio Abbado

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Chuva de Verão

Há quase três meses que não chovia. Parte da Primavera e Verão tem sido muito secos por estas paragens.
Hoje, última semana de Agosto, o dia amanheceu com neblina, cinzento e chuvoso. “Abençoada chuva” diz toda a gente!
Muito tímida, muito leve, muito pulverizada… Os vidros de uma das janelas do meu quarto estão cobertos de gotas minúsculas. Pequenas gotas, que ainda não atingiram o peso suficiente para deslizar ao longo do vidro escrevendo “fim do verão”!
As plantas estão bonitas! Adquiriram uma nova cor brilhante e as gotas deslizam nas pétalas das rosas para depois cair lentamente como quando tem orvalho.
Não resisti e mesmo com chuva fui tirar umas fotos, imortalizando na imagem aquilo que Vinicius de Moraes imortalizou em verso:
“ A felicidade é como gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor…
“A Felicidade” Vinicius de Moraes
Foi isto que senti!
O Sol tem uma beleza diferente! A sua capacidade regeneradora e a sua vitalidade fazem-nos sentir a sua imensa energia.
No campo a beleza torna-se simples e mágica para quem como nós vive na cidade.
As manhãs são leves, transparentes e o sol aparece com um colorido completamente diferente.
O verde dos campos e dos montes tem outra vida! Os silêncios da natureza penetram a nossa alma. Nostálgicos talvez, mas autênticos e simples. Como diz Goethe: “A beleza ideal está na simplicidade calma e serena”!
Aqui isto é real, mesmo nas gentes simples com quem me cruzo e falo quando ando a pé ou vou ao café/mercearia local! Deslumbra-me descobrir como se pode viver com ar feliz necessitando tão pouco. Talvez a quantidade tenha vindo diminuir a nossa capacidade de ver o infinito nas coisas mais simples.
Nos momentos em que vejo a natureza acordar, sinto-me privilegiada pelo que o meu coração consegue guardar profundamente dentro de si. Tal como W. Blake diz ,eu sinto que realmente que sou capaz de ver “O mundo num grão de areia e o céu numa flor silvestre…”
Que bom foi poder partilhar um dia, toda esta beleza simples e pura com um olhar idêntico ao meu!
Agora esse olhar já não está mais junto do meu, mas felizmente ainda consigo ver e sentir a natureza com a mesma intensidade, mas mais triste!
Hoje vou gostar de andar lá fora apanhando esta chuva miudinha a molhar-me o cabelo e o rosto, como fazia quando era criança! Também eu, sinto esta água quase mágica que lentamente vai caindo do céu. Esta chuva veio como uma dádiva para uma natureza quase agonizante depois de tanto tempo sem uma gota de água.
Vejo da janela alguma pétalas brancas de oleandro no chão!
As nossas hidrangeas estão muito queimadas! Quase não há flores com as cores que lhes conhecemos nos outros anos.
Lembras-te como sonhamos com a beleza que teriam este ano se continuassem a crescer como tinha acontecido até então?
Passeávamos de mãos dadas, imaginando que um dia isto se assemelharia à paisagem verdejante dos Açores. Este Verão estragou tudo. Tudo está amarelo ou quase castanho e algumas plantas mais frágeis não sobreviveram.
A chuva embora pouco intensa, parece ter reavivado quase tudo.
Hoje nasceu de novo um sol intenso e poderoso, mas não está tão quente!
Sinto-me só e triste! Aqui as recordações são muitas e isso provoca uma nostalgia que me perturba. Faço esforços, mas não consigo evitar um certo sofrimento pela incapacidade de recuperar as pessoas de quem gostei muito. Recordo ao seus sonhos, os movimentos, o riso, mas não consigo recuperar os cheiros, nem os pormenores de um olhar terno, de um toque nas mãos ou na face com um pequeno movimento que nos faz estremecer… Só há memórias esbatidas, não se sente, no sentido físico do termo. Como dói!

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Pôr do Sol no Minho

A força e a cor de um fim de tarde de Verão deixam-me sempre comovida. Apesar dos escassos momentos que medeiam entre o sol estar próximo do horizonte e desaparecer deixando o seu rasto de fogo atrás, a força destes momentos é incrível!

Vou deixar algumas imagens para poder iluminar os espíritos criativos a escreverem sobre a poesia destes momentos...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um lindo grupo

Volto hoje ao tema deste blogue...
Reuni no último sábado quase todos os amigos do "meu grupo"!
Podia ser mais um sábado, dos muitos que compõem um ano, dos muitos que compõem muitos anos, mas não foi!
Estamos quase no Verão, mas estava fresco! O céu não era azul! Tinha pinceladas de cinza e branco à mistura. Os campos e as árvores continuavam verdes, mas com uma nebelina quase transparente a cobri-los.
Senti-me triste. A falta de sol traz-nos uma tristeza que é difícil de interpretar.
Olhei as minhas flores. Embora as cores não se mostrassem no seu melhor esplendor, as pequenas gotas de orvalho davam-lhes um brilho especial.
De repente...o sol decidiu mostrar-se por uns escassos minutos! Comecei a sentir o meu peito encher-se como se uma nova força repentinamente me invadisse. Uma leve brisa começou de repente a soprar, o ar tornou-se mais limpo e transparente.
O calor suave do sol deixava antever um dia maravilhoso ao ar livre, como tanto tinha desejado!
Aos poucos os amigos foram chegando e com eles aquela alegria que há algum tempo não sentia! Que rica me sinto nestes momentos! Senti-me num verdadeiro paraíso, mergulhada num banho de ternura e sentimentos como só num ambiente de amizade nos podemos sentir.
Houve risos, piadas, o prazer da brisa fresca, da comida, de um vinho agradável e de uma caminhada repousante pelos campos!
Nada se pede, nada se exige, mas todos estão lá disponíveis para tudo se alguém precisar!!!!
O fim da tarde chegou com calma, sem ruídos, sem interferências! Somente os sons da natureza, dos pássaros, das ovelhas pastando silenciosas nos campos...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Um outro Amigo...

Fui à Holanda em Abril de 2008, visitar um amigo muito querido! O meu Amigo Holandês, como diz a Laurinha. Tal como eu, adorava o que fazia e continuou com o mesmo entusiamo que já há alguns anos lhe conheci. A vida pregou-lhe uma partida! Acreditei que ia vencer em grande! Disse-lhe muitas vezes:
Vá lá meu amigo, precisas estar inteiro para ver as túlipas florir durante muitos anos!

Estamos em Maio de 2010! Ainda viu as túlipas durante dois anos, mas não conseguiu ir mais longe! Viu muitas flores, especialmente as hidrangeas, de que gostava muito e sobretudo conseguiu ainda criar ambientes de aprendizagem para crianças, que são verdadeiras flores!

Veio em Abril de 2009 mostrar o seu projecto na Universidade do Minho - IE.
Criou no âmbito do Projecto Europeu VISEUS (http://viseus.eu/), um projecto muito interessante: http://www.myowndictionary/ que recebeu um prémio na Alemanha pelo seu valor e ao mesmo tempo simplicidade.
Agradecemos a sua contribuição e vamos em Portugal, como em muitos outros países continuar a sua obra.

Neste momento, já está traduzido em Português - O meu Dicionário - e vai ser utilizado no Projecto Pigafetta e em projectos de investigação no âmbito do Mestrado em TIC no Ensino na UM - IE.

Citando o nosso Pessoa, que ele tanto apreciava, direi:

Amigo,

"A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto."

segunda-feira, 26 de abril de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

Os amigos da Lusitana

To see a World in a Grain of Sand
And a Heaven in a wild Flower
Hold Infinity in the palm of your hand
And Eternity in an hour.
"William Blake"
Quando comecei a pensar neste blogue não sabia como começar. É sempre o mais difícil!
Então decidi olhar para o título e vi que a primeira palavra era: "amigos"! Talvez a chave esteja nesta palavra.
Nesse preciso momento, resolvi dedicar este blogue a um grande Amigo que nos deixou a semana passada e que um dia me enviou este início de um longo poema de William Blake.
Nele encontrei duas componentes que admiro na poesia: simples e profunda!
Cada um, pode interpretá-lo como entender, como sentir, como gostar! Autêntica polissemia em muito poucas palavras.
Não será algo semelhante que se pretende de um blogue?