quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Regresso em força!

Voltei à Ribalta com a força da música do Gilbert Bécaud vinda através de um equipamento quase pré-histórico e em disco de vinil!!
Et maintenant...??? Porque voltei? Não deixei de escrever, apenas sacrifiquei o blogue, mas tenho escrito muito noutras paragens.

Estou a passar uns dias sozinha na aldeia e os sonhos voltaram a surgir sem pedir licença! 
Passei quase três semanas na praia e já estava cansada do movimento. Nasci junto ao mar e na minha juventude ainda se faziam quase três meses de praia. Sempre gostei muito do mar, de furar as ondas como costumávamos dizer e com água fria que até fazia doer os ossos. Sabia bem depois de estar cansada de jogar voley-ball! Aprendi cedo a nadar o suficiente para não ter medo. Tínhamos um grupo grande e nem me passava pela cabeça passar as férias de outro modo!
Agora continuo a gostar do mar, das ondas, do cheiro, de que sinto muito a falta, mas não gosto da água fria!!!! Aqui decididamente é um problema de idade a interferir com a cabeça! Continuo a nadar sempre que posso e sinto uma enorme libertação, um prazer que não penetra nas palavras. Sou feliz por ser avó e continuar a competir com os netos...ah! ah! por quanto tempo?

Estou no meio do campo, num local paradisíaco a trabalhar muito e a relembrar tudo o que esta casa representou e ainda representa. Agora não posso dizer nas nossas vidas, mas na minha. Deixaste-me sozinha com a enorme tarefa de manter os nossos sonhos bem vivos. Quem dera que pudesses ver como está tudo bonito e como consegui arranjar lugar para as minhas flores. Aqui tenho lugar para muitas mais! Tenho menos rosas, mas descobri muitas outras flores mais simples que também me surpreendem pela sua beleza! Tenho mais hidrangeas que ficam muito bem na aldeia, tenho azálias lindas e rododendros muito coloridos; margaridas de cores variadas e sobretudo muitas florinhas selvagens: amarelas, brancas e azuis tão pequeninas a cobrir o chão e a multiplicarem-se que impressiona. Todos os anos lhes tiro umas fotos para as recordar no ano seguinte, mas as pequeninas dão muito trabalho a fixar!

A natureza deslumbra-me continuamente! Até tenho umas plantas que curiosamente conheci em Itália nos anos 80 a fazer a vedação das autoestradas junto da costa do Adrático. Fiquei encantada pela quantidade e pelo colorido diversificado. Só mais tarde as vi por cá com o pomposo nome de "oleandros"! Tenho brancos, vermelhos, rosa e até amarelos! Estávamos os dois com os filhos quando deambulávamos por Itália. Estou certa que gostarias de ver por aqui os meus oleandros e admirarias a minha "paciência" para os fotografar. Já nessa altura eu carregava literalmente com uma Olympus boa que tínhamos trazido de Inglaterra e que  gozavas dizendo: "carrega, não foste tu que a quiseste comprar, não foste?"
Éramos felizes e quase não dávamos conta! A beleza da nossa relação estava nestes contrastes sem conflitos com tanto que tínhamos de comum! Depois gostavas muito das fotografias, aproveitando sempre para gozar o que eu fazia com os filhos!

Andamos anos até encontar  uma coisa no campo de que ambos gostássemos! Esse era o contrato! Encontramos uma casa que aparentemente não tinha nada de interessante, mas em contrapartida com uma paisagem de fazer perder o fôlego! Lá conseguimos com algum sacrifício comprar. Qual quê? Sacrifício veio depois ...