domingo, 11 de março de 2012

"As Meninas do Liceu Carolina Michaelis" (1952-59)


Já passou algum tempo depois do último encontro que tivemos! Hoje estou ainda a "curtir" o fim de uma gripe inesperada e talvez por isso mesmo me venham à memória acontecimentos que me apetece relembrar.
Não me canso de pensar como nesta fase da minha vida estas amizades de infância me estão a dar outra dimensão!
Não é exagero, é o meu mais puro sentir!
Organizamos um novo almoço onde se juntaram 32 "meninas"! Já lá vão uns meses! 
Eu não estive no primeiro almoço porque devido à vida saltitante que levei as minhas amigas tiveram dificuldade em me localizar. Que bom conseguirem! O que eu teria perdido!!!
Gostei muito de toda a agitação criada por aquele encontro! Beijos, abraços, sorrisos, olhares admirados e uma alegria genuína por nos reconhecermos ao fim de tantos anos.
O dia estava lindo para nos acompanhar num ambiente encantador, no meio de uns jardins fabulosos. 
Foi uma tarde rica de velhas amizades reencontradas e de  lembranças das muitas histórias de um Liceu feminino onde o único homem que lá entrava era o jardineiro. Gargalhadas autênticas, sãs, lembranças das famílias e toda aquela azáfama de se querer contar o máximo possível, do passado e do presente. Perdemos a idade, só tínhamos sonhos e a alegria de estarmos de novo juntas!
Não me posso esquecer das lembranças das nossas professoras! Umas de quem gostamos muito, outras que quase nos aterrorizavam quando lentamente mexiam as folhas da caderneta para sermos chamadas! Como os nossos corações ficavam pequeninos, apertados, batendo desconpassados! Quando nos parecia que aqueles dedos folheando a caderneta já tinham passado o nosso número  respirávamos fundo, mas de repente as folhas voltavam atrás e o sofrimento regressava... Quantas vezes me perguntei se isto era um desejo mórbido de nos fazer sofrer ou conceitos exóticos de métodos de educação?!
Depois tudo se esquecia! Brincava-se nos recreios, jogava-se ao "Mata" e eu ainda tinha um prazer adicional por poder patinar com uns patins que naquele tempo tinham quatro rodas metálicas. Corria, fazia piruetas simples e esmurrava os joelhos algumas vezes! Ninguém usava proteções contra nada! Tudo fazia parte da vida e o futuro era uma palavra tão distante! Era algo que não nos preocupava como se ainda não fizesse parte do nosso horizonte.
O dia acabou sem traumas e sobretudo com uma alegria diferente da de outro qualquer dia de vivências sem história! Neste dia tínhamos acabado de escrever mais um dia de alegria na história das "meninas" do Carolinas da fornada de 52 a 59!!!

Felizmente também fui professora em diferentes graus de ensino e tenho a certeza que sempre tentei que nada tão deprimente acontecesse com os meus alunos!
Acho que sem pretender ser pura, tentei sempre fazer o melhor que podia para os fazer felizes.
Acima de tudo fui muito feliz com a profissão que escolhi! Passei por quase todos os níveis de ensino e já na última etapa achei que a minha principal preocupação se situava na área da formação de professores. Serei ingénua, mas ainda acredito que uma boa formação pode trazer inovação e mudança ao nosso sistema de ensino, ainda muito informado por práticas pouco adequadas aos tempos em que vivemos.