Ontem deixou de estar presente um daqueles amigos que ainda me chamava Zézinha!
Era muito especial! Na verdade era mais um membro da minha família. Crescemos na mesma rua...
Fiquei muito triste! De longe a longe trocávamos mensagens e enviava-me algumas poesias que escrevia.
Tínhamos uma amizade muito pura e terna daquelas que vem de meninos...
Falava-me dos livros que escrevia e do prazer que sentia em passar para o computador o que lhe ia na alma. Brincava comigo com aquela intimidade que só é possível na amizade!
Encontrávamo-nos nas festas de família onde me dava sempre uns abraços muito fortes, muito especiais, muito carinhosos!
Levei-lhe umas flores onde dizia o que realmente sinto: "Os meus olhos deixaram de te ver, mas não o coração!"
Viverás sempre na minha memória....
terça-feira, 6 de setembro de 2011
O mundo que era nosso e agora é só meu…
Hesitei! Apetecia-me muito falar contigo. Sinto aquela calma suave e uma alegria triste no peito que me apetece correr por aí e falar de ti. Sinto amor que queima o meu corpo e a minha voz articulando uns sons à tua procura. Pena que nem sempre sinta assim! Também sinto o amargo da solidão, mas de repente sinto que renascemos, que fazemos parar o tempo, que o que conseguimos guardar em nós durante tanto tempo, não pode morrer.
Agora o meu corpo é amor, apenas as flores cheiram a saudade, mas a sua beleza, a sua cor, a luz que delas emana enche-me os olhos e a cabeça de beleza.
Às vezes perco a noção se é só comigo ou contigo que me deito. És a minha ternura, a minha alegria, a minha carência, a minha saudade. Parece que vivo por ti e através de ti com o teu carinho! Sinto o meu corpo cheirar à madrugada da aldeia que sonhamos, mas também cheira a distância e a desespero.
O mundo é nosso. Ouço poemas e olho para o céu, mas o meu amor está demasiado longe…muito longe! A distância é imensa e não consigo tocá-lo. Então a tristeza é tão forte que mal consigo sorrir. Nem um som, nem um gesto, é a dor de um amor sozinho. De repente o meu corpo é só deserto! O céu parece não ter ar, o azul desaparece e aquela angústia da solidão invade-me.
Imagino nos teus olhos as memórias do desejo, sinto-me rebolar nas areias das praias que não vejo sem ti. Sei que estou presa à ternura sem defesa que te dei. Na casa que agora é só minha, espero o teu corpo que tive e senti só meu!
Sinto lentamente aquela alegria desabrochar dentro de mim, como o sol a nascer na madrugada. Penso em ti e apetece-me dançar, sorrir, olhar as flores da janela do meu quarto. Que colorido está o jardim que com tanto carinho as minhas próprias mãos construíram! Cada planta, cada flor tem uma história que agora só eu sei. Como gostava de as partilhar contigo!
Visto-me colorida. Cubro o meu corpo com as cores do meu jardim, abro o meu peito, recebo-te e sorrio feliz! Penso em ti como se realmente existisses aqui ao meu lado, sinto os teus carinhos, as tuas mãos, os teus abraços e só me apetece olhar o céu, esse mesmo céu que nos cobria quando estávamos deitados sobre a relva selvagem e imaginávamos, como iríamos ser felizes nesta casa que eu tive de acabar sozinha!
Queria comunicar-te esta alegria, mas de repente olho em volta e tu não estás. Só a tua memória, a tua pele macia e as tuas loucuras de menino travesso! Uma vida, umas horas, uma eternidade que fazem bem a diferença! Isto nunca se pode esquecer! É vida, é amor, é ternura, é seiva, é planta, é flor, é o desabrochar do mundo para nos envolver.
Somos isto, somos dois num só, sem vaidades, sem surpresas, sem artifícios, só o teu riso forte e solto, a minha alegria e as nossas loucuras. Que a memória dos tempos não nos faça esquecer este privilégio único que é dado aos homens – AMAR,… mesmo que tu já não estejas mais aqui.
Vou presentear-te com parte de uma peça musical que apreciavas bastante...
“Há metafísica bastante em não pensar em nada.
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma e sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim, pensar nissoé fechar os olhos e não pensar.”